Era só mais uma noite fria dessas, que o vento ganha peso e deixa seus sinais na pele de quem ousar desafiá-lo em uma esquina qualquer enquanto procura por lembranças que já estão bem distantes daqui. Eu até entenderia suas preces, mas só depois que o relógio cortasse a linha que deixa o sol tão distante do meu lado do rosto que ainda se encontra adormecido.
Nesse lado, o frio é relevante, o céu é só mais um caminho, tudo se une no fim, formando um só ciclo: sonhos experimentados. Eu até deixaria que as vozes que ouço a noite me guiassem lá fora, já que as luzes tomam conta da cidade e me deixam tomar conta da sombra dos passos dados atrás desses ruídos, desafiando a noite, só que eu ainda tenho a vontade de querer saber o que vai acontecer quando tudo se revelar em tons claros e o dia começar a querer invadir o espaço, saber quem vai se levantar também! De mãos dadas ou atadas, meus sapatos não me servem mais e eu ainda me lembro de quando eles pareciam ser tão confortáveis. Se você acha que isso é ruim, saiba que é criando calos que se aprende a não deixar transparecer a dor e é andando que descobrimos quem só finge sorrir.
Sendo assim, calço meus sapatos apertados mesmo. Vou indo, como sempre vou bem.
O mundo que eu criei é de quem não tem medo de sair por ai madrugada a fora na vida, mas sim, de quem tem coragem de enfrentar mais um dia só pra ter a chance de viver mais uma noite dessas.








