Era só mais uma noite fria dessas, que o vento ganha peso e deixa seus sinais na pele de quem ousar desafiá-lo em uma esquina qualquer enquanto procura por lembranças que já estão bem distantes daqui. Eu até entenderia suas preces,  mas só depois que o relógio cortasse a linha que deixa o sol tão distante do meu lado do rosto que ainda se encontra adormecido.

Nesse lado, o frio é relevante, o céu é só mais um caminho, tudo se une no fim, formando um só ciclo: sonhos experimentados. Eu até deixaria que as vozes que ouço a noite me guiassem lá fora, já que as luzes tomam conta da cidade e me deixam tomar conta da sombra dos passos dados atrás desses ruídos, desafiando a noite, só que eu ainda tenho a vontade de querer saber o que vai acontecer quando tudo se revelar em tons claros e o dia começar a querer invadir o espaço, saber quem vai se levantar também! De mãos dadas ou atadas, meus sapatos não me servem mais e eu ainda me lembro de quando eles pareciam ser tão confortáveis. Se você acha que isso é ruim, saiba que é criando calos que se aprende a não deixar transparecer a dor e é andando que descobrimos quem só finge sorrir.

Sendo assim, calço meus sapatos apertados mesmo. Vou indo, como sempre vou bem.

O mundo que eu criei é de quem não tem medo de sair por ai madrugada a fora na vida, mas sim, de quem tem coragem de enfrentar mais um dia só pra ter a chance de viver mais uma noite dessas.

quantas dimensões existem no universo? quantas eu quiser! mesmo pensando assim, já tracei inúmeras teorias em retratos invisíveis. minha caneta e eterna amiga, coincidentemente, é o tempo. com ele um garoto pode desenhar uma rua, e colocar esquinas onde bem entender. pode ficar parado em uma dessas esquinas, sozinho e até mesmo com outras pessoas, pode seguir em frente ou voltar.. quem determina a ordem e por onde começa o desenho é o garoto e sua imaginação. porém, quem tem imaginação fértil demais, pode acabar deixando manchas de caneta que nem o tempo pode apagar.

eu poderia muito bem tentar explicar o que eu tento desenhar, só que eu não terminei ainda de fazer meu rascunho. nunca fui minimalista mas enchi de retas que se cruzavam de alguma forma e sem querer acabei ignorando a lei do ponto de fuga. afinal, eu só queria fugir de ter um rabisco caprichado como o de todos os outros que me cercam. ainda bem que é só um rascunho, e nele quem manda sou eu.. vou encher de cores e apagar quaisquer resquício de traço civilizado. isso começa pelo fato de apagar todas linhas que se cruzam, de ser um bom garoto e desenhar ruas.. vou derramar a tinta azul e  criar logo um rio.. aos poucos eu consigo uma canoa, com um pouco de calma traço dois remos. quem sabe outras canoas me sigam nesse rio.

o resto do desenho, só quem tiver alma nobre vai saber o que é apontar pra fé e remar.

esse é o problema de quem tem imaginação fértil, mudar de idéia a todo instante.

“… logo ao amanhecer, não pegou seus pertences e saiu de fininho, cuidando bem de cada passo e trocando-os tão lentamente que parecia deslizar sobre o chão daquela sala.

Olá, tudo bem? Certamente era o que seus olhos queriam dizer ao abrir a porta vagarosamente. Porém, sua boca sentia uma necessidade constante de dar adeus aquela velha biblioteca de funções que com o tempo se tornaram inoperantes. É como se aquela vida fosse um programa escrito em algum código fonte aberto. No começo era programada para dizer OiMundo, em uma espécie de tela dando boas vindas. Com o passar do tempo foram acrescidas novas rotinas e a tornou cada vez mais funcional. Entretanto, sempre vai existir um procedimento que encerra qualquer função.

O silêncio exercido era fundamental para que os raios de sol que entravam conforme a porta se abria, funcionasse como uma limpeza de disco. A partir dali, o tempo começou a funcionar como um desfragmentador de disco deixando tudo em seu devido lugar.

Os primeiros passos depois daquela porta foram difíceis, era como se estivesse aprendendo a andar novamente, só que de verdade.  Sentia-se como um passageiro sem bagagens, dentro de um trem sem destino. Nas primeiras paradas tudo se tornava um desvio de atenção, querendo transformar a viagem no trem sem destino em uma viagem frustrada. Aliás, tudo que não faz parte do caminho correto para que se chegue com sucesso no final só serve para tentar frustrar o seu ideal.

Agora não existem mais funções comandando a vida programada? Olá, tudo bem? Essa é a nova tela de boas vindas. Ele começou a escrever de outra forma aquele velho código de uma maneira funcional, dessa vez.

Sexta-feira 13, 1992.

Era março, era eu dando oi pro mundo. Era eu antes de saber que acabaria seguindo ideais ridículos: querer, lutar e poder.

Desenhei tão bem várias máscaras que esqueci de usá-las, nem sei mais do que me escondia nos últimos dias. Cresci tanto, mas tanto, que descobri que eu era insignificante entre os números.

Nunca tive visão boa, mas sempre vi tudo duplicado.

Nunca pensei duas vezes, mas sempre entendi os dois lados.

Nessa imensidão de trilhas sinuosas e escorregadias, me jogava sem saber se ia dar de cara em uma pedra. Fiquei tão acostumado com a dor, que as pedras rapidamente se transformaram em confortáveis travesseiros.

Era o jogo, esse é o jogo onde nos jogamos..

Sexta-feira 13, 2010.

Estou há 18 anos batendo minha cabeça.

A dor da última pedrada nem é tão forte, mas sangrou demais. Foram meses de recuperação… Quando acreditei que havia melhorado, ergui a cabeça e bati em outra pedra.

É ai que nós caímos sem querer, sem saber.

Pedra sobre pedra, um dia eu me levantei.

Me levantei pra morrer, morri pra viver. A verdade é que eu nem sabia o que estava fazendo.

Mas levantei, calcei meus sapatos e resolvi morrer, assim do nada.

Morri tanto que descobri o meu maior erro: não pensar.

Aquilo não era um jogo, era um caminho. E era o melhor entre os dois caminhos, era cheio de pedras.

O pior em toda a história sempre fui eu, que corria rápido demais no melhor dos caminhos e acabava batendo em todas as pedras que estavam alinhadas propositalmente no intuito de simplesmente me ajudar. É eu morri, morri muito. Mas a cabeça eu não bato mais.

Ah!

eu vejo a sedução nas palavras e a conquista nos fatos.

cabe a você seduzir até perder a voz e continuar vazio ou agir sem controle até perder o que um dia foi conquistado. simplesmente lhe dão a todo tempo o direito de saber o que fazer em beneficio próprio e mesmo assim parece ser tão pouco. de onde estamos todo o pouco existente é a noção do nada e todo nada se resume em tudo sem noção de porque. tudo que vemos é a vida então por que insistimos em reclamar que só nos restou a oportunidade de duvidar do que podemos ver? não seja tão pequeno pra duvidar da vida.

se a exaustão diária de pensar sem sair do lugar nos deixa tão cansados, devemos procurar logo uma maneira de esperar os dias passarem por conta própria? não! meu mundo é contraditório demais. os dias sempre passaram por conta própria independentemente do que pense, fale ou faça. só nos resta o poder de aproveitar cada ponto vital, cada segundo de sol e cada gota d’agua até mesmo quando ela já se transformou em vapor. nascemos com a capacidade de ser somente o que podemos ser. só cabe a você falar e agir. seduza todos os dias as suas conquistas, atraindo assim novas expectativas.

dios santo qué bello abril.

entre o chão e meus pés existe o impulso para o novo e repetitivo amanhã. entre meus pés e minha cabeça eu guardo os meus sonhos presentes. entre minha cabeça e o céu encontro o ar que passou pelo ontem. vai ver é só ilusão ou seja apenas eu querendo saber. ou até mesmo outro alguém tentando me convencer de que não posso mais querer imaginar de longe e me calando diante da causalidade que nunca caminha rente a casualidade do tempo.

todas as manhãs eu me encontro com o nada e percebo que meu lugar sempre foi ali. o nada é suficientemente capaz de ser maior que tudo. pois quando me vejo em nada, entendo que coisas vagas me lembram as coisas que sempre esquecemos. relembrar nada mais é que a certeza de que esqueceremos novamente. voltando ao nada, é com o nada que eu aprendo! aprendo que o tudo eu jamais conseguirei e assim o nada se transforma em algo capaz de me dar coisas que o tudo nunca me deixara conhecer, pois assim eu estaria burlando as suas leis de que não passo de um nada remoendo o nada.

a realidade é que cansei de falsas intenções.

e eu realmente não ligo mais por não  fazer sentido. freqüentemente me mostram que sou apenas um grão de areia em meio ao infinito. mas um grão de areia quando se entrega a sorte, movimenta-se através do vai e vem eterno de  quem se orienta através da maré desorientada intitulada ’destino’.

sem me mover continuo tentando romper muitas barreiras que limitam a vida de um mero cidadão que quando acordar pela manhã se sentirá desconfortável em um mundo que gira num ritmo alucinado, deslocando nosso rumo e distraindo nossos sorrisos.

enquanto permaneço na horizontal percebo que tenho tanto pra lembrar e nada mais para dizer. e os sintomas são sempre os mesmos, sintomas de simplesmente tentar viver sem saber onde as coisas vão parar ou se elas realmente irão parar em algum momento.

os espelhos são as unicas coisas que me acompanham pela rotina e sabem de coisas que eu nem cheguei a descobrir. insistem em mostrar a tristeza nos olhares enquanto a alegria de milhares é te ver sem ter um lugar pra cair e enfim desistir. pode até ser caótico, mas não passamos de sobreviventes.

sobrevivemos diante de um mundo onde o céu é uma mancha poluente e cai sobre nossas cabeças nos fins de tarde, despenca de alturas incalculáveis e mesmo assim não é capaz de limpar toda a sujeira que encontramos embaixo dos pés. caminhamos entre homens egocêntricos e incapazes de apreciar sentimentos e de retribuir as mais variadas formas de amor.

apesar de tantas coisas ruins, o que não acaba é a coragem. a vontade de crescer mesmo que eu sinta nas costas o peso de um mundo injusto.

é na mente que devemos carregar nossa bagagem, e dentro dessa mala só podemos levar pensamentos sábios e o silêncio que nos consome enquanto esperamos por coisas improváveis de acontecerem! porém se simplesmente pararmos de tentar, tudo que é improvável se transformará em impossível, ai de vez perderemos o jogo.

enquanto as horas percorrem o dia, persigo meus instintos e minto.

invento histórias sem glória suficiente para contar a alguém, pois sei que não terá coragem de perguntar o que realmente acontece enquanto o tempo passa e fico a pensar se o dia de amanhã realmente virá.

mas eu digo ao vento que tudo que me trás paz me satisfaz, assim eu sigo. pois posso ser qualquer coisa, mas certamente não serei quem carrega a  insensatez.

todos dizem freqüentemente: finalmente acordei para a realidade. a questão é que insistimos em focar os olhos levantados naquilo que está a frente e paramos de enxergar o silêncio que está ali, batendo dentro da cabeça, pedindo saída! e você só quer saber que acordou para a realidade, simulando a alegria de poder ver as coisas de uma forma nova. mas as imagens de tudo que se viu enquanto não estavamos acordado para a tal vida real continua trancafiada dentro de uma caixa que mesmo não sendo de nossa vontade, elas voltam e ficam como um filme em loop do nosso passado. perambulando entre palavras não descubro uma definição para os fatos de ficarmos dando rewird nas memórias.

com o passar do tempo descobrimos tarde demais que é necessário fugir do passado. todos dizemos, mas não fazemos na prática. não somos capazes de simplesmente apagar tudo que já se viu, sentiu ou viveu.

toda vez que se tem um obstáculo preferimos dar a volta no mesmo, sem lembrarmos que na hora de voltarmos para buscar algo que está preso lá atrás, vamos nos deparar com o mesmo obstáculo novamente e dessa vez pode ser dificil desviar o caminho e então ficamos presos entre o que é inoperante (passado) e o funcional (hoje). o que nos falta é coragem, o que nos sobra é medo. temos tantas capacidades e preferimos nos fingir de seres incapacitados de falar, de mover e desfazer. de sentir, ousar e refletir. de sermos nós mesmos. de agirmos de acordo com o que pensamos. e quando sentimos que não somos nada além de meras estátuas na vida de outras pessoas, perdemos orgulho e ego.

somos estrangeiros dentro de nossa própria vida, e a falta que nos faz é suficientemente grande para abafar nossa voz ou para nos dar impulso e voar pra bem longe e deixar definitivamente de fingir o que alegamos ser.

um coração, sangue pulsante, suor e idéias. isso já é o bastante para vivermos. coragem, fé cega e pés atrás para duvidar de tudo que nos convém, pois nada faz sentido pra quem prefere viver sem crescer.

ainda me sentirei leve o suficiente pra subir lá no alto e ver tudo que não me agrada de um ponto onde nada é capaz de me derrubar.

enquanto isso permaneço mutante e estável, para que os ventos que traçam os destinos apenas sejam capazes de me indicar o norte. para chegar até lá, só depende do que eu faço.

atire uma pedra na minha cabeça que eu revidarei com uma flor. eu sou simplesmente o que posso ser, tenho sonhos que me mostram o que devo fazer.

pois, o ontem é excessivo. o que fazemos hoje é influente no amanhã, e não mudará em nada os dias antigos. e o amor é importante, assim como a paz de estar bem consigo mesmo.

mire el lume destes sueños mire el don de mis palabras
las ventanas de mis ojos son somente tus escravas.
mira flor madrugadeira mis auroras que son tuas
ergue um brinde a las estrellas mi pasión amada Luna.

SILÊNCIO.

enquanto a terra permanecer exercendo seu movimento de rotação nunca se saberá ao certo o que está por baixo e quem está por cima, pois diante da confusa translação e o eterno ciclo de idas e vindas nos deparamos com nobres corações. vidas habitantes de corpos que são provas reais e concretas do quanto se pode relutar e continuar de pé mantendo os olhos trêmulos. na confusão que faço dos meus dias eu encontro caminhos que me levam a pessoas com capacidades extraordinárias, apesar de possuírem tanta beleza e sabedoria, ainda se perguntam sobre possíveis significados. questionam-se desesperadamente sobre o que fazer e a melhor maneira de agir com o próximo. elas mal sabem que possuem um pedaço na vida de quem sempre está por perto. muitas vezes se esquecem que num mundo cheio de traições e sentimentos ilusórios, palavras que denunciam falsidade e pessoas que levam a vida inteira tentando nos derrubar, ainda existem reais amigos. quando estiver no chão e sentir todo gosto da derrota saberá que depende de você segurar em minhas mãos e se levantar ainda mais forte. será um momento tão intenso que se sentirá capaz de criar asas, sair voando e perceber lá de cima, longe de toda a imperfeição o que realmente deve se dar valor. entenderá que sempre existem humanos que não conseguem viver sem seu toque, e que tua mente é tão grandiosa que nem um tiro na cabeça será o suficiente para apagar tudo que já viveu.

apesar das minhas palavras serem incompreensíveis, eu só peço para que tu nunca machuque corações, não tenha coragem de agredir uma vida, pois assim só estará acabando consigo mesmo.

do menino da locadora, eu.

para alguém que talvez nem saiba a importância dos dias que vieram depois que o acaso nos encontrou e fomos presenteados com a alegria de viver perto de quem nos conforta. portanto, lembre-se de mim enquanto estiver sonhando.

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